Historicamente, as periferias têm criado tecnologias sociais e formas de se adaptar a condições adversas. Na crise climática não é diferente. Diante de enchentes, deslizamentos, ondas de calor e tantos outros fenômenos agravados pela ausência de políticas públicas, as comunidades demonstram que conhecem e aplicam soluções viáveis para uma vida digna
Nós, do data_labe, estaremos na COP 30, em Belém, para levantar essa bandeira: as favelas, quilombos e periferias precisam ser protagonistas nos processos de decisão.
Aqui, você poderá acompanhar essa pauta e saber por que nossos modos de fazer, dados e conhecimentos ancestrais precisam ser considerados nos planos de adaptação climática.
As periferias estão entre territórios mais afetados pela crise climática
Cerca de 600 mil famílias convivem com o risco de deslizamento ou inundação no Rio de Janeiro, segundo estudo da Ambiental Media e da Universidade Federal Fluminense (UFF). Isso representa uma a cada cinco casas na cidade, que conta com mais de 2,4 milhões de domicílios privados, de acordo com o Censo IBGE de 2022.
A falta ou ineficiência de políticas públicas pensadas para a realidade destas famílias faz com que as regiões periféricas estejam entre as mais afetadas pelo aumento dos eventos climáticos no mundo todo. O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), da Organização das Nações Unidas (ONU) aponta que moradores de regiões vulneráveis morrem 15 vezes mais por enchentes, secas e tempestades do que aqueles que estão em regiões menos vulneráveis.
Não existe adaptação climática sem o protagonismo das periferias
O Brasil já possui políticas para enfrentar a emergência climática. A Política Nacional sobre Mudança do Clima (PNMC) e o Plano Nacional de Adaptação (PNA) estabelecem diretrizes de prevenção, mitigação de riscos e de participação cidadã e afirmam a importância da geração e uso de informações para identificar vulnerabilidades.
Para que essas políticas sejam executadas de forma efetiva nas cidades, é fundamental que as comunidades mais afetadas pela emergência climática assumam protagonismo nos processos de decisão. Trazer as periferias para o centro do debate é importante não apenas porque elas são atingidas pelos fenômenos, mas também porque detêm saberes e tecnologias para enfrentar os efeitos da crise. De acordo com dados da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (CONAQ), entre 1985 e 2022, os territórios quilombolas perderam apenas 3,2% da vegetação nativa, contra 17% em áreas privadas.
Com a GCD, as comunidades podem contribuir para a governança climática
É nesse contexto que defendemos a aplicação da Geração Cidadã de Dados (GCD) para a adaptação climática. Esta metodologia inovadora de participação social colabora para que as comunidades mobilizem seus saberes e definam suas demandas. A partir da produção de diagnósticos territoriais, os moradores indicam quais as prioridades e que soluções podem funcionar em cada território.
Ao fomentar a articulação de atores não governamentais para a produção e implementação de políticas públicas, a Geração Cidadã de Dados GCD coopera para o exercício da governança climática participativa e multinível, com a adequação das metas globais às realidades locais.
A GCD tem sido aplicada por diferentes grupos e para diversos temas, o que demonstra o potencial de replicabilidade da metodologia e sua contribuição para a formação de agentes sociais, compartilhamento de saberes e uso de linguagens inclusivas e engajadoras.
No data_labe temos utilizado a GCD para construir soluções e diagnósticos nos territórios em temáticas alinhadas aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, como saneamento básico e soberania alimentar, que são transversais à adaptação climática. Saiba mais sobre nossos projetos aqui.
Maria Ribeiro
Cearense criada na favela da Maré no Rio de Janeiro, atua há nove anos na agenda climática em organizações da sociedade civil. Cofundou a Coalizão O Clima é de Mudança e esteve à frente da comunicação do Cocôzap, projeto de pesquisa e mapeamento do data_labe que fomenta a justiça climática nas favelas por meio do saneamento básico. Estudante de Geografia na UERJ, combina comunicação, cartografia social e Geração Cidadã de Dados para pautar clima e adaptação em territórios periféricos.
Polinho Mota
Nascido e criado em Manaus, é Mestre e Doutorando em Epidemiologia e Ciência de Dados Populacionais na UFRJ. Desde 2020 atua como coordenador de dados no data_labe e contribui para a formação de lideranças comunitárias em dados e metodologias participativas. Polinho acredita e trabalha para a democratização das tecnologias, feitas por todas as pessoas de forma livre e soberana.
Samantha Reis
Física pela UFRJ e cientista de dados, nascida e criada na Baixada Fluminense (RJ). Atua como analista de dados no data_labe, no desenvolvimento de pesquisas e projetos em dados. Também é educadora em ciência e tecnologia, com uma abordagem decolonial voltada à democratização do acesso e à diversidade nas áreas de STEM.
Confira nossa programação de atividades
08 NOV (SÁB)
16h – 20h
Casa GCD
Encontro Pré-COP: Construindo caminhos entre dados, territórios e justiça climática
📍 Local: Casa Libra – Tv. Benjamin Constant, 1158, Nazaré, Belém – PA
12 NOV (QUI)
12h15
Geração Cidadã de Dados
Como as culturas locais e os dados gerados pelas comunidades moldam soluções climáticas
📍 Local: Climate Live Entertainment + Culture Pavilion at COP30 – Blue Zone Parque da Cidade
21 NOV (SEX)
11h15
Geração Cidadã de Dados: uma metodologia de participação social inovadora para a adaptação climática
Painelistas: Angelina Oduor (Ushahidi), Ciro Avelino (Digital GOV.BR), Geci Karuri Sebina (African Centre for Cities), Maria Ribeiro (data_labe) e Samilly Valadares (Instituto Perpetuar).
Mediação: Polinho Mota (data_labe).
📍 Local: Auditório Cumaru no Pavilhão Brasil (Zona Azul)
Acompanhe artigos e
destaques do #datanacop30

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