REDE GCD DEBATE DADOS E JUSTIÇA CLIMÁTICA EM EVENTO PRÉ-COP 30

Encontro realizado em Belém reuniu organizações que atuam com dados para discutir desafios e possibilidades da aplicação da metodologia de Geração Cidadã de Dados

Redação: Leonardo Nogueira
Fotos: Rogério Folha
Arte: Stephanie Tetiiz 

A Rede GCD realizou, neste sábado (8), o encontro “Construindo caminhos entre dados, territórios e justiça climática”, na Casa Libra, localizada no bairro de Nazaré, em Belém, no Pará. O evento, que faz parte do ciclo preparatório para a 30ª Conferência das Nações Unidas, reuniu diversos coletivos locais para debater os desafios e as possibilidades da utilização da Geração Cidadã de Dados (GCD). 

A partir das experiências das organizações que integram a rede e de instituições como Pastoral da Terra, Instituto Bamburucema de Cultura Afro-Amazônica e o Observatório do Marajó, o público abordou como a GCD tem se consolidado como um instrumento participativo de produção de indicadores nos territórios e com ênfase em pautas interseccionais, muitas vezes esquecidas pelos dados oficiais. 

O encontro abriu a agenda de atividades em Belém promovidas pelas organizações que integram a Rede GCD.

Com a proposta inovadora de ser replicada de acordo com o contexto de cada território, a metodologia GCD tem sido utilizada para investigar temáticas conectadas aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, como racismo ambiental, insegurança alimentar e eventos extremos provocados pelas mudanças climáticas.

“Discutimos a utilização da GCD na perspectiva da justiça climática, olhando, principalmente, para a importância da contra-narrativa ou complementação do dado público. A justiça racial e as questões territoriais também aparecem muito. Não existe apenas uma agenda”, comentou a analista de dados do data_labe, Samantha Reis.

Instituto Mãe Criola, Mandí, Na Cuia e Instituto Bamburusema de Cultura afro amazônica são alguns das organizações amazônidas que compartilharam experiências no evento.

Durante a programação, a equipe da Rede GCD apresentou o mapeamento de iniciativas que trabalham com a metodologia no Brasil e seus respectivos avanços. De acordo com os organizadores, o levantamento busca conectar quem atua em favelas, periferias e comunidades tradicionais; mostrar que os territórios populares já têm produzido diagnósticos e soluções; e articular planejamento coletivo, parcerias e incidência junto ao poder público. 

A gerente de projetos do Fogo Cruzado, Dandara Rudsan, afirma que o evento indica caminhos para uma democracia baseada em políticas públicas feitas com o protagonismo das favelas e povos tradicionais.

“Falando como uma ativista, defensora dos direitos humanos e ribeirinha, a grande perspectiva que esse evento me mostra é que é possível, sim, um mundo onde as políticas públicas e a democracia sejam baseadas na produção cidadã de dados, principalmente para comunidades e povos da floresta. Nós precisamos renovar as políticas públicas ambientais e só vamos conseguir realizar de forma consistente, olhando para mudanças climáticas através da GCD”, avalia Dandara. Além do data_labe e do Fogo Cruzado, Casa Fluminense e Instituto Decodifica também organizaram o evento.

A ativista Dandara Rudsan vê na GCD uma oportunidade para que as políticas públicas contemplem as reais necessidades dos povos de floresta e das favelas.

O campo da GCD no Brasil tem defendido como a metodologia pode contribuir com a aplicação das medidas globais de adaptação climática nos territórios. 

“O presidente da COP [o embaixador André Corrêa do Lago] tem falado sobre soluções para implementação, adaptação, integração. E é exatamente isso que queremos. Se a governança climática participativa e multinível passa pela atuação de atores não governamentais, a GCD pode ser essa ferramenta popular de produção de diagnósticos para a elaboração e implementação de políticas públicas”, acrescenta Samantha. 

Representantes da Rede GCD seguirão em Belém com uma agenda de atividades na programação oficial da COP 30. A Geração Cidadã de Dados volta à pauta nesta quinta-feira (13) no painel “GCD: Como as culturas locais e os dados gerados pelas comunidades moldam soluções climáticas”, previsto para as 14h no Climate Live Entertainment + Culture Pavilion at COP30, na Blue Zone no Parque da Cidade; e no dia dia 21/11, às 11h, no Auditório Cumaru no Pavilhão Brasil, na Zona Azul, para a mesa “Geração Cidadã de Dados: uma metodologia de participação social inovadora para a adaptação climática”. Para mais informações, acesse datalabe.org/data-na-cop-30.

Sobre a Rede – Fundada em 2023, a Rede GCD propõe metodologias para que a sociedade civil produza, analise e distribua dados de interesse público, valorizando conhecimentos territoriais e populares. É formada por Casa Fluminense, data_labe, Fogo Cruzado, Instituto Decodifica, Observatório de Favelas e Dicionário Marielle Franco. Conheça a Rede em redegcd.org.br.

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