MOZILLA FESTIVAL: COMO CONSTRUIR UM MUNDO DIGITAL MELHOR

Em evento sobre repensar os padrões que moldam a tecnologia, o data_labe apresentou a Geração Cidadã de Dados como ferramenta para reduzir a exclusão digital e fortalecer comunidades socialmente marginalizadas.

Redação: Leonardo Nogueira
Arte: Nicolas Noel

“Unlearning”, em português, “desaprendizagem”, foi o tema do Mozilla Festival 2025,
ocorrido em Barcelona, na Espanha, que propôs a diversas lideranças mundiais repensar os
padrões que moldam a tecnologia. Entre os dias sete e nove de novembro, o data_labe
esteve no evento para falar sobre como a Geração Cidadã de Dados (GCD) pode reduzir a
exclusão digital, remodelar a forma de coleta de dados e fortalecer comunidades
socialmente marginalizadas.

O evento propôs projetar o uso das tecnologias como ferramentas sociais.

O Mozilla Festival é realizado pela Mozilla Foundation, uma organização sem fins lucrativos
que gere os projetos e softwares de código aberto da Mozilla, como Firefox e Thunderbird.
Na edição de 2025, o encontro abordou o desafio de desaprender os padrões – os sistemas,
hábitos e suposições – da Internet que não nos servem mais, e explorar novas formas de
trabalhar para que a tecnologia sirva às pessoas e ao planeta.

Significa repensar o poder, questionar quem se beneficia da tecnologia atual e explorar o
que a privacidade significa em diferentes culturas. Não se trata apenas de criticar, trata-se
de imaginar alternativas ousadas e acionáveis e construí-las juntos”, 
escreveu a organização.

GCD e inclusão social

O Diretor Geral do data_labe, Polinho Mota, participou do painel “Desaprender a exclusão
digital: A Geração Cidadã de Dados como ferramenta para empoderar comunidades
marginalizadas”, ao lado da doutora e pesquisadora em ciências da comunicação e bolsista
da Mozilla no programa Tech&Society, Thiane Neves.
“A maioria das coletas de dados é feita sem a participação das comunidades, muitas vezes
sem o consentimento e com diretrizes pouco esclarecidas. A GCD vai na contramão disso e
reformula a forma como as comunidades e periferias podem conquistar a soberania de
produção e análise de dados”, explicou Polinho.

Polinho apontou como a GCD aplica formas mais saudáveis e seguras de coletar dados.

A mesa foi dividida em duas etapas: na primeira, Polinho apresentou como o data_labe tem
trabalhado a Geração Cidadã de Dados e também o histórico da pesquisa científica
brasileira sobre a metodologia, baseado no artigo “Geração Cidadã de Dados: Uma
Cartografia situada do conceito”, publicado no livro “Tecnopolíticas Urbanas: Injustiça Social
na cidade danificada”, com autoria também do fundador do data_labe, Gilberto Vieira, e o
professor do Programa de Pós-Graduação em Gestão Urbana (PPGTU) da PUC-PR,
Rodrigo Firmino.

Já a segunda, comandada por Thiane, abordou o trabalho de Geração Cidadã de Dados
(GCD) realizado no Quilombo Oxalá de Jacunday, no município de Moju, no Pará, com o
projeto Quilombo Sem Lixo, desenvolvido em 2025 com participação ativa dos moradores
da própria comunidade nos processos de decisão e de aplicação da metodologia, visando
aprimorar a incidência política do território e reivindicar com dados políticas públicas de
coleta de lixo.

A pesquisadora e ativista Thiane Neves apresentou o projeto Quilombo Sem Lixo, realizado pela comunidade Oxalá de Jacunday, no Pará.

“Discutimos a desconstrução da ideia de que os dados são um domínio exclusivo de
especialistas e grandes instituições. Essa noção continua alimentando desigualdades
sociais e epistêmicas. À medida que tecnologias predatórias, como a Inteligência Artificial,
avançam, as comunidades periféricas e marginalizadas correm o risco de sofrer ainda mais
exclusão, com suas necessidades e realidades ignoradas. Precisamos desaprender a lógica
do desenvolvimento tecnológico que perpetua essas disparidades. A GCD surge como uma
ferramenta poderosa para desafiar esses padrões”, apontou Thiane na descrição do painel.

O projeto Quilombo sem Lixo foi desencadeado pelo fellowship da Fundação Mozilla, da
qual Thiane é bolsista, com apoio da Climate and Land Use Alliance (CLUA) e em parceria
com data_labe e o Instituto Perpetuar, uma organização quilombola que atua em todo o
território do Jamboassu, no Moju.

Delegação Brasileira no Mozilla Festival contou com outros parceiros do campo, como o Instituto Decodifica.

“No festival, conseguimos nos conectar com filantropias, organizações e ativistas
interessados no nosso trabalho e na forma como desenvolvemos a GCD. O encontro é umagrande vitrine sobre soluções e iniciativas que constroem tecnologias mais justas e
aplicadas às necessidades sociais. Foi incrível!”, concluiu Polinho.

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